Maltratadas

Em 2013 o grupo de arte e educação C3 Portugal e a Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual (APECV) iniciaram o o projeto de arte colaborativa ‘Maltratadas’ para a campanha lançada pela Associação Cultural de Viseu ‘Adamastor’, no âmbito do Dia Internacional para a Erradicação da Violência sobre as Mulheres. Esta iniciativa exorta à consciencialização dos cidadãos para o fim da violência sobre as mulheres nas diferentes formas  em que esta se manifesta nas nossas sociedades. Professoras da Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual lançaram um apelo a partir das redes sociais e redes de arte educação artística da APECV para a elaboração coletiva de uma manta de retalhos. Cada retalho contaria a história de uma mulher vítima de violência. A aderência ao projeto foi significativa , alunas e professoras da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viseu; membros da Adamastor de Viseu; membros do grupo Teia de Gupilhares; participantes dos ateliers de adultos da APECV; membros da associação cultural PIMTAI de Évora e professores da APECV de vários locais do país enviaram um retalho contando histórias de vida que não podemos calar. Através do patchwork, do uso da arte, foi mais fácil contar histórias dolorosas e denunciar situações de violência escondida.A manta é um testemunho em memória de todas as mulheres que nunca puderam tornar visíveis essas histórias. É também um objecto educativo para alertar sobre o problema da violência sobre as mulheres em Portugal. Não é um objecto concluído porque se pretende que ano após ano se aumente. É um objecto artístico itinerante e colaborativo.

 

 

 

Viseu, 4 de outubro de 2013

Cara amiga

Escrevo-lhe para a convidar para o projeto de arte colaborativa ‘Maltratadas’. O desafio é fazer uma manta de retalhos gigante com a colaboração de várias pessoas, onde cada uma faz um pequeno conjunto de quadrados em tecido utilizando a técnica do patchwork sobre uma mulher que tenha sido vítima de violência. Neste ano de 2013 , duas amigas minhas foram vítimas de maus tratos e eu gostava de participar nesta campanha de um modo mais pessoal , apelando a todas as amigas e amigas de amigas para me ajudarem a fazer um texto visual em patchwork para ser terminado no Rossio de Viseu , cidade onde vivo, no dia 25 de Novembro. O dia 25 de novembro foi eleito como o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. Patchwork é uma técnica que une tecidos com uma infinidade de formatos variados. Cada uma de nós poderá recortar quadrados de aproximadamente 10  cm para fazer as narrativas visuais sobre uma mulher maltratada. Podemos bordar cada um dos pequenos tecidos, pintar, colar , etc.  No final cosem-se os diferentes módulos de modo a formar um rectângulo ou quadrado maior e enviam-me . Se quiserem venham ter comigo ao Rossio , em Viseu no dia 25 de Novembro, nesse dia vou estar na praça do Rossio sentada num banco a coser todos os retalhos que as colaboradoras me enviaram. 

 

Teresa Torres de Eça

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 Recebi 64 retalhos feitos por mulheres de  vários locais do país. 11 colaboradoras  estiveram  hoje em Viseu para coser os retalhos  recebidos. Estivemos integradas na campanha Sem Mulheres Não Há Paz” organizada pela Adamastor – Associação Cultural no âmbito do Dia Internacional para a Erradicação da Violência Sobre as Mulheres no 25 de Novembro de 2013. A iniciativa é promovida pelo terceiro ano consecutivo, pela Adamastor  e exorta à consciencialização dos cidadãos para o fim da violência sobre as mulheres nas diferentes formas  em que esta se manifesta nas nossas sociedades. (Teresa, Viseu, 15 de Novembro de 2013)

 

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Acção no Rossio, Viseu , Novembro, 2013

Vieram  mulheres do Grupo Teia com a Angela e as duas mulheres que trabalham com a Mila no atelier comunitário da APECV em Campanhã. Estava um frio glaciar e um vento   sertanejo.  Começámos no parque  com os voluntários da ADAMASTOR, mas o vento era demais,  fomos depois para o jardim do Rossio, no cantinho do Tomás Ribeiro.  Depois  fomos almoçar a minha casa que fica um bocado longe – no campo.  Na vinda apanhámos um funeral. Fomos ao debate  promovido pela ADAMASTOR com a senhora Nilgun Akbolat da Women’s  Platform UK,  a conversa foi interessante. A Manta está  quase pronta. (Teresa, 25 de Novembro de 2013)

 

 

 

 

 

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Exposição da Manta em Gupilhares. Grupo Teia , Janeiro 2014

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Exposição da manta em Viseu, Escola Superior de Educação, Março, 2014

Junho, 2014

A manta foi exposta na Escola Secundária Vergílio Ferreira em Lisboa. Uma visitante, editora de uma revista de manualidades faz um artigo sobre a manta!!!
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Junho de 2014:  Christiane Matsius  entrou no projecto, Começou uma manta com comunidades em Walvis Bay, e outras regiões da Namíbia.

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 Namibia , ‘Orange Day’

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A Manta da Namibia chegou a Portugal em  2017 

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A Manta em 2017 , Viseu, Quinta da Cruz

 

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 Alguns anos depois a manta regressa a casa,  expomos  durante a exposição dos caderno artivistas por alguns dias.  Não é um caderno, mas foi colaborativa.  Loli Soto e Juan Valles   dizem  para a cortar aos bocados,  e de cada bocado fazer uma nova manta.  Nódulos que se transformam em rizoma. Trabalho que nunca tem fim….

A Patricia Espiritu cortou um belo bocado, no meio . Ficou um buraco misterioso …  O bocado da Patrícia vai para o Mexico.  Corto outro retalho para enviar à Diana Valverde na Baia , S. Salvador , Brasil.

O grupo do Alentejo quer fazer uma ação com tricoteio. A manta vai para Évora em julho de 2017 .  (Teresa, 12 de abril de 201)

 

C3, Setembro de 2017

A manta vai para o Porto para o Encontro Internacional de Reflexão sobre Práticas Artísticas Comunitárias – EIRPAC.     Dia 20 de Setembro procuramos a manta na Associação Malmequeres da  Noeda, na travessa de Miraflor , mas ainda não tinha chegado !   Aproveitamos para jantar com as nossas queridas amigas da manta de Campanhã ,  as suas vidas mudaram muito, o reencontro foi muito bonito.

 

  

Foto do  Sr.José Alecrim no café Foguete

No dia 21 de setembro a manta está no Espaço Mira , mesmo ao lado do Porto Dartes onde a manta começou!!!  Levamos-la com grande aparato pelas rua e pelo atalho das escadas  até  à  Associação Malmequeres da  Noeda.  Cosemos mais quadrados  durante  durante a palestra de François Matarasso .

A manta enrola-se de novo,  pronta para outros destinos !!!

 

 


Mapa da Manta
processo:
Novembro 2013  com grupo TEIA em Gupilhares  alunos da ESEV; alunas encarceradas da Paula Soares;  professoras da APECV; grupo de artes da Emilia ; Gupilhares; teatro PIM  Èvora ( Portugal)
de agosto de 2014 a março de 2017 uma nova  manta na Namibia foi construída.

ações/exposições:
25 de Nov de 2013 : Ação em Viseu ( Rossio com TEIA; APECV; ADAMASTOR)
janeiro 2014: na mercearia da avó Miquinhas em Gupilhares , visitada por Rita Irwin.
março 2014: na  ESE  de Viseu  visitada por vários alunos e pofessores da ESE.
maio  2014: : na Escola Sec. Vergilio Ferreira em Lisboa, uma mãe jornalista viu a manta e resolveu escrever um artigo sobre  numa revista de manualidades ) junho 2014- Exposição na APECV , então no Porto D’artes. visitada por Christiane Matsius da Namibia.
de julho  de 2014 a março de 2017- esteve em vários locais da Namibia

Abril 2017 – expostas na exposição ‘Cardernos Artivistas’ na Quinta da Cruz em Viseu,   Mostramos as duas mantas  durante uma reuniao de artivistas do projeto dos cadernos colaborativos  e logo surgiram umas ideias brilhantes: VAMOS CORTAR AOS BOCADINHOS!!!!! disse o Joan Valles e a Loli Soto. A Patricia Espiritu  cortou um belo bocado e vai levar para o Mexico para começar uma nova.  Eu cortei outro bocado e vou enviar  para a Diana Valverde na  Bahia.   A manta pequena da Namibia em Agosto vai para a  Coreia (Congresso mundial da InSEA em Daegu) , Joana da revista TAE , no Texas mostrou muito interesse no projecto

Julho  2017-
desce ao Alentejo –  instalação de tricoteio in process descendo do tecto do hangar do teatro.

Setembro 2017 – Encontro Internacional de Reflexão sobre Práticas Artísticas Comunitárias – EIRPAC.

 

Artigos publicados onde se fala da manta

Torres de Eça, T. ; Saldanha, A. (2016). ARTE EN RED: DOS PROYECTOS DE EDUCACIÓN ARTÍSTICA ACTIVISTA. In: Jimenez, Lucina ( ED) Arte para la Convivencia y Educación para la Paz. Mexico: Secretaría de Cultura de México y el FCE. pp185 – 202.

De Eça, TT. & Saldanha, A. (2014). Mantas colaborativas: silêncios ruidosos.

TERCIOCRECIENTE Nº 5, JULIO 2014 pp. 27-40 .

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7 responses to “Maltratadas

  1. Varias mulheres portuguesas…e uma espanhola 🙂
    Gostei muito de participar neste projeto e acho que é muito importante dar a conhecer o trabalho desenvolvido pelo mundo inteiro em relação a estes temas. Como foi transmitido em várias ocasiões, vamos todos gritar e alzar as vozes para dizer: Basta já de violência!!! Seja ela qual fora.. A.B.

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